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Redação corrigida - Sem título

Natal-RN, 02 de outubro de 2009.

Senhor Massimo Pavarini, professor da Universidade de Bolonha:

Tenho grande satisfação em enviar-lhe esta carta sobre o fato do aumento da penalidade aplicada a criminosos, assunto da sua entrevista à “Folha de São Paulo”. Ao ler tal reportagem, percebi o quanto minhas opiniões são discordantes das suas em vários aspectos, que irei apresentar a seguir.

Quando foi perguntar ao senhor se penas maiores significam mais segurança, percebi que a sua resposta dada, Massimo Pavarini, se restringe apenas a criminosos leves, ou seja, onde o estado pode finalmente cometer excessos de punição. Não consegui perceber, em nenhum momento da resposta, algo relacionado a crimes graves ou hediondos, onde a sociedade, sem dúvida alguma, torna-se mais protegida enquanto o criminoso estiver preso.

Frente a isso, um exemplo conhecido pelos brasileiros, no final da década de 1990, foi o caso do assassino em série e estuprador, conhecido popularmente como “maníaco do parque”. Pela legislação brasileira, ele poderá cumprir até 30 anos de pena, e sua vasta experiência em criminalidade permite afirmar que tal individuo jamais se reabilitará, independente das circunstâncias do cárcere privado. Portanto, é já mais correto e seguro manter criminosos como este atrás das grades por muito mais tempo, e inclusive atribuir a casos assim prisão perpétua.

A partir daí, é que não acredito no fato das prisões já não produzirem eficientemente medo a ponto de limitar a criminalidade. Os criminosos não estão se tornando destemidos em ralação, mas sim, devido à impunidade. Por mais frio que seja o criminoso, a perda da liberdade é algo desagradável, e, por isso, é temida. O Sr. Pavarini pode não conhecer a realidade judicial e penal brasileira, muito provavelmente divergente da realidade em seu país, mas, a quantidade de criminosos presos e soltos logo em seguida é um absurdo.

Esses fatos, muito frequentes, fazem com que a ideia de autoridade e punição, na mente dos delinquentes, fique altamente distorcida, tendo um significado praticamente irrelevante em suas vidas, porque realmente, na prática, as punições leves, injustamente atribuídas, não promoverão mudanças significativas no cotidiano de um criminoso.

Em vista disso, Massimo Pavarini, peço que o Senhor reveja algumas de suas colações, pois algumas delas me pareceram bastante absoluto e seria necessário para essa melhor análise do assunto “crime e pena”, relativizar, ou seja, entender a questão por mais de um foco, ou seja, por mais de uma realidade.

Atenciosamente,
Justus Poti.

Comentários:

O texto realiza o que foi exigido pela proposta, mas não aprofunda casos de criminosos que poderiam fundamentar mais ainda a sua análise.

Comentários específicos:

  1. Além do caso do “Maníaco do parque”, poderíamos ter a análise de criminosos que cumpriram trinta anos de reclusão: o bandido da luz vermelha, Chico picadinho e Pedrinho matador;
  2. O aspecto estrutural da carta foi bem trabalhado: local e data, vocativo, objetivo do texto, despedida e assinatura;
  3. O uso de pronomes, principalmente o relativo precisa melhorar: “onde” se refere a lugar. No texto, ele foi usado para substituir “crimes graves ou hediondos”, por exemplo.

Aspectos:

Competências avaliadas:

  • Demonstrar domínio da norma culta da língua escrita. 1,5
  • Compreender a proposta da redação e aplicar conceito das várias áreas de conhecimento para desenvolver o tema, dentro dos limites estruturais do texto argumentativo. 1,5
  • Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista. 1,0
  • Demonstrar conhecimento dos mecanismos lingüísticos necessários para a construção da argumentação. 1,0
  • Elaborar o texto, seguindo os preceitos adequados ao gênero textual proposto. 1,5

Nota: 6.5


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